É começo de dezembro e o sol faz do Vale dos Sinos uma grande panela de pressão. Você é uma das quatro mil pessoas que, naquele dia, embarcaram em uma das dezessete estações do Trensurb em direção à Unisinos. Ao desembarcar na plataforma e subir a escada rolante da estação guardando os livros – após uma leitura “dinâmica”, na velocidade do trem – o iminente Grau B é uma visão amena comparado à fila do Circular.

Em tese, os nove ônibus fixos (chegam a 13 em horários de pico) disponibilizados pela Central – mesma empresa responsável pelas Rotas para Porto Alegre – partem a cada 15 minutos levando os usuários da estação até o câmpus. Na prática, você está atrasado e o calor faz da espera uma eternidade.

Quando o movimento é grande e a fila quase alcança o início da escada rolante, os ônibus só partem abarrotados. À despeito dos pedidos contidos de “não cabe maaais” ao motorista, fiscais encarregam-se de coordenar o preenchimento total da lata de sardinha: “Vá passando para trás. Mais pra trás, por favor…”.

Você prestará a prova do Grau B suado e um tanto atordoado, mas terá poupado algumas moedas no bolso. O bilhete Integração Unisinos, do Trensurb, custa o valor de um unitário: R$ 1,70. Também podem ser “adquiridos” a preço de vento na Estação Unisinos e nos AR’s da universidade. No câmpus, os ônibus também passam a cada 15 minutos nas paradas próximas aos Centros 1, 3 e 5.

Essa barbada – financeira – é oferecida aos alunos porque o contrato da Central com a Unisinos para a prestação do serviço Circular é independente do serviço de Rotas. A universidade paga uma taxa fixa para que a empresa transporte de graça, todo mês, cerca de 127 mil pessoas (nem todas usuárias do trem ou mesmo ligadas à Unisinos). Pois bem: se fosse pago, o serviço seria melhor? O Circular poderia ser melhor mesmo gratuito? Ou o serviço é bom e reclamar do calor é frescura?